Unidade de Vida: Integrar fé, trabalho e o dia-a-dia
Arrisco-me a dizer que o maior erro da nossa realidade secular foi termos separado o sagrado do profano, acreditando que conseguimos viver com propósito, paz e alegria mantendo uma constante dicotomia entre aquilo que acreditamos e aspiramos e aquilo que fazemos. Mas, como já dizia Jesus no Evangelho de S. João, "Se eu não realizo as obras do meu Pai, não creiam em mim. Mas, se as realizo, mesmo que não creiam em mim, creiam nas obras, para que possam saber e entender que o Pai está em mim, e eu no Pai." É através das nossas obras que revelamos aquilo que somos, assim como o fruto define a árvore.
Viver em estado de graça e querer chegar à plenitude da nossa fé é permitir que a mesma permeie tudo aquilo que fazemos e todas as áreas da nossa vida, sem reservar nada para nós. Se fizermos por oferecer tudo a Deus, cada ato ordinário, por mais simples e insignificante que possa parecer, torna-se uma oferenda agradável a Deus e um meio de constante oração.
Oferecermos o nosso trabalho a Deus é uma obrigação espiritual e uma questão de justiça, pois Ele "é o Senhor e Dono de todas as coisas, porque as fez e conserva. E os homens também Lhe pertencem. Ele é o Senhor absoluto e soberano, e não pode haver outro."
Reconhecendo a nossa condição de criaturas, torna-se evidente a necessidade de cultivar esta unidade de vida em que tudo se revela ser oração. Como criaturas, somos obrigados a reconhecer a soberania do Senhor. Como filhos, temos o dever de homenagear o Pai. E como cristãos, é necessário que arrastemos as almas para o céu — e isto só é possível através da oração e das boas obras que refletem esta disposição.
A chave está em começar o dia com Ele. Sendo Ele Criador, reconhecemos que Ele ordena todas as coisas. Reservar um tempo de manhã para oferecer as nossas obras e para a oração não é um desperdício nem uma perda: é essencial para quem quer de verdade amar, louvar e servir a Deus. O nosso abandono à oração é o nosso reconhecimento humilde de que as nossas boas obras não vêm senão por Ele. Seja a educação dos filhos, o trabalho bem feito ou o fruto da terra, tudo isso só é possível com a graça de Nosso Senhor e na medida em que nos propusermos a ser instrumentos eficazes nas Suas mãos. E para isso é necessário empregar os meios.
A nossa Igreja oferece um ritmo para o ano e para os dias, e segui-lo é uma ótima forma de convidarmos a liturgia a entrar na nossa família e na nossa casa.