A Necessidade de Uma Comunidade Feminina
Hoje em dia, é rara a mãe que sabe ser mãe, a esposa que sabe ser esposa, e a mulher que sabe ser mulher. Não por falta de vontade, mas como resultado de uma sociedade que destruiu de forma intencional aquilo que sempre foi tradição e necessidade: a transmissão de sabedoria de mulher para mulher.
O que se Aprendia ao Pé das Mais Sábias
Tradicionalmente, as mulheres aprendiam o seu ofício, a viver bem a sua vocação de mães e esposas, através das mulheres mais sábias da sua comunidade. Mulheres com uma virtude e uma experiência que lhes permitiam transmitir essa sabedoria de forma fidedigna e eficaz. Sempre houve uma transmissão viva e prática da sabedoria feminina, que preparava as mulheres para o seu trabalho mais nobre.
O Fio que se Partiu
Mas o feminismo, que tanto se orgulha de ter ajudado e resgatado as mulheres, foi o pioneiro na destruição desta transmissão sagrada. Citando Paulo Combes no seu "Livro da Esposa": "As mães parece que nada aprenderam e tudo esqueceram, de tal forma elas procedem detestavelmente, não procurando afastar de suas filhas as dolorosas provações por que passaram. Contrariamente ao seu dever, as mães cultivam no espírito das filhas os mesmos erros que noutro tempo as fizeram sofrer a elas, preparando-lhes assim as mesmas decepções e desilusões."
Onde Vão as Jovens Buscar o que Ninguém lhes Ensinou
E qual é a fonte de informação das jovens quando as mães falham? "Aos romances, às conversas com amigas tão inexperientes como elas em questões da vida real, a uma falsa interpretação de tudo que vêem ou que se passa com elas."
Hoje a lista é mais longa: às redes sociais, aos influencers, às séries, ao feminismo universitário. O resultado é o mesmo: jovens mulheres que chegam ao casamento e à maternidade sem saber o que são, sem terem sido ensinadas por ninguém que viveu aquilo antes delas.
Não nos Resgataram, Isolaram-nos
A verdade é que o feminismo não resgatou as mulheres, isolou-as, destruiu a estrutura que lhes dava a segurança e a sabedoria necessárias para desempenharem da melhor forma possível o seu papel de esposas e mães, de modo a contribuírem para o bem comum e a edificar a sociedade. O feminismo pegou na sabedoria feminina que manteve e ergueu sociedades durante séculos e substituiu-a por uma ideologia. Hoje, uma mulher de quarenta anos sabe mais de ideologia de género do que de como manter a paz e a alegria numa casa com filhos pequenos.
Uma Mãe Não Foi Feita para Estar Só
Isso leva-me a outro ponto. A sociedade atual, desvirtuando e despromovendo a maternidade, fez com que esta passasse a ser vivida de forma isolada e solitária, fragilizando a mãe a um ponto doentio. A mulher precisa de comunidades formadoras. A mulher não precisa apenas da família: ela nutre-se de círculos de mulheres onde a feminilidade genuína é cultivada, transmitida e vivida. Sem essa comunidade não há um depósito que guarde e preserve as tradições e a sabedoria das gerações passadas, e cada mãe é obrigada a começar do zero, sem a rede viva que a sustenta. São Paulo não escreveu sobre o sacerdócio nem a pregação. Mas nas suas cartas a Tito fala da importância de haver um ministério feminino dentro das comunidades cristãs.