Tradição: De Onde Vimos e Para Onde Vamos

Desde que me lembro que sempre tive uma mente inquisitiva e uma alma contemplativa. Sempre me fascinou e cativou deixar-me invadir pela natureza e pela beleza da sua criação. Desde contemplar a sua abundância, o número de sementes com potencialidade de se tornarem novas plantas num prado já carregado delas; as estrelas no céu e as suas constelações, presentes desde os primórdios da humanidade, e poder contemplar o mesmo retrato celeste que os nossos antepassados; a melodia dos pássaros que aquece a alma e acalma os nervos; e a paleta deslumbrante de cores pastel de um pôr do sol de verão. Para mim, a existência de Deus sempre foi evidente, embora mal soubesse que, para além de não ser uma energia cósmica impessoal, era um Deus pessoal e que me chamava pelo nome.

A curiosidade sempre foi uma virtude e um vício meus, que me levavam a mergulhar de cabeça nos meus assuntos de interesse. Começou por ser devorar todos os livros de "Uma Aventura", mais tarde interpretar os textos de Shakespeare e, por último, numa altura desafiante da minha vida, descobrir a realidade (ou não) da espiritualidade new age, chegando à filosofia ancestral dos Vedas. A verdade é que eu sempre tive esta inquietação de chegar à verdade, de estudar os temas a fundo e de me recusar a ficar pela superficialidade.

Um percurso gradual semelhante aconteceu com a minha conversão. Comecei o meu caminho a estudar a Bíblia e, consequentemente, a entrar na igreja evangélica. Vivendo num país católico, quis explorar a razão pela qual não eram todos evangélicos, e foi a estudar a história da Igreja que voltei ao catolicismo (fui baptizada à nascença, graças a Deus, literalmente). E, por fim, foi já na Igreja Católica que, dois anos mais tarde, me cruzo com fotografias de pessoas de véu na missa e me ponho a pesquisar o porquê disso — levando-me ao CVII e a descobrir a tradição da Igreja.

Confesso que não estava preparada para o que se iria seguir. Eu, que já tinha feito uma mudança drástica de vida e deixado tanta coisa para trás para seguir e amar a Cristo, deparava-me mais uma vez com um momento pivotal na minha vida.

Afinal, as coisas nem sempre foram assim. Afinal, há um rito sagrado e milenar que foi celebrado e assistido pelos maiores santos da Igreja, e continua vivo e activo hoje. Afinal, o céu está mais perto da terra do que eu achava e sequer imaginava.

Descobrir a tradição foi, para mim, finalmente compreender o sagrado. A sacralidade requer um quê de incompreensão. É permitir que a fé se imponha quando há algo que ultrapassa a razão. É manter oculto o que só pode ser visto com um olhar sobrenatural: a alma. Descobrir a tradição foi como carregar no play em algo que parecia estar em pausa desde toda a minha existência. Foi reconectar-me com um passado que continua vivo e nos susteve durante todos estes séculos. Foi compreender profundamente de onde vim e para onde vou.

Não me atrevo a pôr em palavras o que a tradição me revelou e até onde me levou e me tem levado. Porque fazê-lo seria reduzir algo sagrado ao profano, e disso o mundo já se encarrega diariamente.

Uma coisa é certa: não tenho dúvidas de que a tradição é o caminho, e escrevo este artigo na esperança de que tu também te atrevas a descobrir de onde vieste e para onde vais.

PS: Se gostarias de aprofundar o teu conhecimento sobre a doutrina católica tradicional, a feminilidade e a família, ainda há 20 vagas disponíveis na minha comunidade. Carrega aqui para te inscreveres. As aulas são ao vivo, todas as semanas, e ficam, claro, gravadas.

Anterior
Anterior

A Necessidade de Uma Comunidade Feminina

Próximo
Próximo

Num mundo de Evas, sê Maria.